UMA PAUSA PARA REFLECTIR
No meio de tão grande confusão que se levantou no Serviço Nacional de Saúde, temos mesmo que parar para reflectir.
O encerramento de Maternidades, de Urgências Infantis, de Atendimentos Permanentes, dá-nos a ideia que o Céu desabou sobre a saúde dos portugueses.
Vamos reflectir um pouco sobre o motivo que levou os nossos governantes a terem que tomar medidas tão drásticas:
A ideia muito socialista de uma saúde tendencialmente gratuita era uma medida que poderíamos considerar no mínimo utópica. A saúde pode não ter preço, mas diz a sabedoria popular: ”vão-se os anéis... fiquem os dedos”. O lucro da saúde deve ver-se na rápida melhoria dos doentes que faça diminuir o absentismo e melhorar o ritmo de trabalho; na prevenção da doença e dos acidentes de trabalho ou viação ou outros que provoquem incapacidade.
Não se pode olhar a Saúde como um empreendimento rentável, não se devia poder dar alta a um doente porque está a dar prejuízo ao Hospital...
Mas infelizmente as despesas atingiram um valor de tal modo elevado que obrigaram o Estado a tomar medidas impopulares mas necessárias, nos locais onde o número de utentes não justificava a sua existência.
Metendo a mão na consciência, a maioria de nós tem muita culpa do descalabro a que a Saúde chegou.
Foi-nos dada a facilidade de recorrer a serviços quase gratuitos e as pessoas acorreram em massa aos Centros de Saúde até por motivos fúteis que muitas vezes nada tinham a ver com a saúde. É quase como uma corrida aos saldos em que as pessoas compram por 1€ coisas de 3€ que não lhes faz falta nenhuma.
Ter direito à saúde não significa ter que ir a correr ao médico; saúde é mais do que ausência de doença. Saúde é bem-estar físico, psíquico e social e não depende apenas do médico e dos centros de saúde. Depende também da educação, do civismo, da sociedade e de inúmeros factores que nos vão surgindo na vida diária. A saúde depende sobretudo de cada um de nós e da forma como nos comportamos. Uma vida tranquila, sem excessos, não é obrigatoriamente um aborrecimento. Podemos comer, trabalhar, divertirmo-nos, fazer exercício físico com moderação e obter assim uma boa saúde.
Uma boa educação para a prevenção dos acidentes de trabalho, ensinando as formas de nos proteger e proteger os outros tem sido muito descurada, senão inexistente nas nossas escolas, preocupadas em encher a cabeça das crianças com matéria teórica que acaba muitas vezes por não servir para nada. Formam-se Drs. mas esquecem-se os artífices e o resultado é que os Drs. acabam por ter que aceitar empregos para os quais não estão minimamente preparados. Também a educação para condução auto deve ser incentivada logo nos primeiros anos de escolaridade e, pena é que o Civismo não possa ensinar-se também nos bancos da escola; embora o exemplo dos educadores tenha uma grande importância, é em casa com a actuação dos pais e encarregados de educação que a criança vai desenvolvendo a noção do civismo e agindo em conformidade, respeitando-se a si próprio e aos outros.
O nosso total bem-estar depende da consciência que temos de nós próprios como seres completos em espírito, mente e corpo. Podemos aumentar essa consciência usando afirmações que reforçam Vida:
Sou um ser sadio e completo em espírito, mente e corpo.
Todos os dias repito esta afirmação, proclamando que a minha saúde e plenitude têm origem na minha essência genuína, alojada no fundo do meu coração. Abro-me à Vida curadora que brota da Fonte de Luz que é o meu Eu Superior, e sinto-a a irradiar-se a todas as células do meu corpo.
Todas as manhãs e todas as noites eu dou graças pelo dia maravilhoso, (cheio de Amor, Paz, Saúde, Alegria, Humildade, Prosperidade e Sabedoria) que vai ser e pelo maravilhoso dia que acabou.
Agindo deste modo, sinto-me mais feliz e saudável e o dia corre-me melhor.
Peniche, 20 de Junho de 2006
João Barros de Bettencourt
Completo este artigo com um soneto, que o sentimento me fez brotar com uma quadra a mais...
CAMINHO DA LUZ
Uma luz de amor entra em mim
E o meu coração se inflama e aquece
O que vejo do Mundo não é assim
Tão mau como parece.
O Mundo é uma maravilha
Escondida sob um véu de maldade
Também por trás das núvens o Sol brilha
No meio da Tempestade.
Nossos olhos tão ceguinhos...
Olhos da mente, ilusão!
Visão limpa, clara, sem espinhos
Se olharmos com o coração.
Vida alegre, saudável e boa
Só com amor se consegue,
Que o coração tudo perdoa,
Não há lança que o cegue
Não há noite que o corroa
Se na Estrada da Luz ele segue!
Côja, 06/06/09
João Barros de Bettencourt
Passados 4 anos parece que ninguém teve tempo para reflectir... cambada de moluscos bivalves, vulgo lamelibrânquios...
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